Férias e exposições

Férias e exposições


São Paulo está, definitivamente, no circuito internacional das Artes Plásticas. Exposições de obras como as do Renascimento, de Giacometi (há dois anos na Pinacoteca, a maior já dedicada a ele), de Picasso, Kandinsky e Miró só têm vindo para cá porque os museus e fundações que as acolhem reconhecem que o Brasil (e sobretudo a cidade de São Paulo) é hoje um dos países com maior público para exposições. Como o repertório é muito amplo, há artistas para todos os gostos. Escolhi alguns dos quais gosto muito, além, é claro, da importância das exposições. Vamos lá.

Joan Miró, a força da Matéria

Um mundo de sonho, cheio de mulheres, bailarinas, bichos, estrelas e flores. Tudo estilizado no mais elevado sentido do termo. E há também as esculturas, construídas com sucatas dos mais diversos materiais que o artista recolhia em seus passeios por praias e campos. Curiosidade: Miró (1893-1983) era um jovem desenhista cheio de talento. Mas quem lhe deu um grande impulso para se tornar um dos maiores artistas plásticos do século XX foi o nosso João Cabral de Melo Neto. Cabral era cônsul na Espanha e, apaixonado por artes plásticas, integrava um grupo de intelectuais e pintores, do qual saíram Miró e Tapiès, entre outros.

Em parceria com a Fundação Joan Miró, de Barcelona, a exposição reúne 112 obras: 41 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos e 26 gravuras, além de três objetos que serviram de ponto de partida para esculturas do artista catalão.

A mostra divide-se em três partes, com a produção de Miró dos anos:

1930 e 40, com pinturas e desenhos da época da Guerra Civil Espanhola e da Segunda Guerra Mundial;

1950 e 60, com presença maior de técnicas diversas, como esculturas; e

1970, sobre suportes inusitados e que questionam o sentido final da arte.

Onde: Instituto Tomie Ohtake – Mezanino: R. Coropés, 88 – Pinheiros – Oeste. Telefone: 2245-1900

Na terça-feira a entrada do Tomie Otake é franca. Nos outros dias, 5 reais a meia entrada.

Kandinsky, tudo começa num ponto

Exposição da trajetória do artista precursor do Abstracionismo, composta por 153 obras e objetos de Wassily Kandinsky (1866-1944), seus contemporâneos e de artistas que o influenciaram. Além da coleção do Museu Estatal Russo de São Petersburgo, o acervo conta com obras de museus da Rússia e coleções procedentes da Alemanha, Áustria, Inglaterra e França. Mais de 150 telas e objetos do artista russo e de artistas que o influenciaram compõem a seleção, que é divida em cinco blocos.

Entre as obras, é possível conferir “Amazona nas Montanhas” (1918), “No Branco” (1920) e outras criações.

O charme absoluto do prédio do CCBB confere um encanto todo especial às exposições que recebe. O Centro Cultural do Banco do Brasil foi destacado por uma revista de arte alemã como um dos vinte melhores espaços culturais do mundo, com exposições e mostras de cinema comparáveis ao melhor de Nova Iorque, Paris e Londres.

Neste momento, acontece no CNBB também, até o final do mês, uma mostra completa da filmografia de Francis Ford Copppola.

Onde: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo – ccbbsp@bb.com.br

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro CEP: 01012-000 | São Paulo (SP) Telefone: 3313-3651/3652

Funcionamento: de quarta a segunda, das 9h às 21h.

http://culturabancodobrasil.com.br/portal/kandinsky-tudo-comeca-num-ponto-4

Lina em casa: Percursos 

A exposição na Casa de Vidro, que foi residência de Lina Bo Bardi por 40 anos, reúne desenhos, documentos, cartas, anotações, fotos, objetos originais e vídeos como parte das comemorações do centenário do nascimento da arquiteta. A mostra busca não só apresentar registros da contribuição de Lina para a arquitetura do país como também evidenciar posições e ideais da artista, mostrando sua crítica ao design e ao planejamento urbano e sua aproximação com a temática ambiental, por exemplo.

No blog do CPV há uma matéria sobre Lina Bo Bardi e sua casa de vidro:

http://cpv.com.br/blog/index.php/lina-bo-bardi-1914-2014-centenario-de-nascimento/

Onde: Casa de Vidro: R. Gen. Almério de Moura, 200 – Morumbi. Telefone: 3743-3875 

Quando: até dia 19.07.2015

Arte da Itália – de Rafael a Ticiano

Recorte do importantíssimo acervo do MASP, é um conjunto de 30 obras de referência da pintura mundial, dos séculos XIII a XIX, passando pelos períodos medieval, renascentista e barroco. Botticelli (1445-1510), Tintoretto (1518-1594) e Ticiano (1488/1490-1576) estão entre os representados.

Onde: MASP (Museu de Arte de São Paulo) – 2º subsolo: Av. Paulista, 1.578 – Bela Vista – Centro. Telefone: s/tel.

Arte no Brasil, uma História na Pinacoteca de São Paulo 

Parte do acervo da Pinacoteca ganhou um recorte que vai dos tempos coloniais até os anos 1930. Onze salas, que ocupam todo o segundo andar do prédio, reúnem obras de artistas fundamentais da história da arte brasileira, como Almeida Júnior, Candido Portinari, Pedro Américo e Lasar Segall.

Estão expostas obras essenciais da pintura brasileira, como o “Caipira picando fumo”, entre tantas outras. Além das pinturas, destaca-se um conjunto de boas esculturas: Ceschiatti, Rodin e outros.

É interessante dar uma olhada na lojinha, pois sempre há livros de arte  (em geral de exposições já promovidas pela própria Pinacoteca) em promoção.

Onde: Pinacoteca do Estado – 2º andar: Pça. da Luz, 2 – Bom Retiro – Centro. Telefone: 3324-1000

Arte sacra na ourivesaria

A exposição apresenta cerca de 130 peças – entre joias, jarras, cálices, crucifixos e outros objetos sacros- que traçam uma releitura do acervo do museu a partir da produção destas obras na ourivesaria. Entre os destaques, uma cruz peitoral em ouro, esmeraldas, rubis e diamantes que pertenceu ao Cardeal Arcoverde e um lampadário de prata oferecido por D. Pedro I à antiga Sé de São Paulo.

Muitos objetos são provenientes de coleções particulares (esta é uma rara oportunidade para apreciá-los) e outros são do acervo permanente do museu.

Vale a pena visitar a exposição permanente de presépios, muito diferentes uns dos outros: alguns minúsculos e outros enormes.

Onde: Museu de Arte Sacra de São Paulo: Av. Tiradentes, 676 – Luz – Centro. Telefone: 3326-3336

Guignard – A memória plástica do Brasil Moderno

A exposição dedicada ao pintor Guignard (1896-1962) reúne cerca de 70 obras, divididas entre os temas retrato, paisagem e natureza-morta.

Esse brasileiro alcançou fama por retratar paisagens mineiras, Estado onde viveu desde a década de 1940. Para criar um diálogo com a produção de Guignard, o curador do MAM selecionou 26 obras do acervo do museu, de diferentes artistas e suportes, que são exibidas na sala Paulo Figueiredo no mesmo período.

Onde: MAM Ibirapuera – Grande sala: Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 3 – Parque Ibirapuera. Telefone: 5085-1300

Portinari e a Poética da Modernidade brasileira

A mostra traz ao público 35 obras de Candido Portinari (1903-1962), produzidas entre 1931 e 1944. O foco são dois acontecimentos marcantes do Modernismo no país no período: o 38° Salão de Belas Artes, que ocorreu no Rio de Janeiro em 1931, e a Exposição de Arte Moderna, de 1944, em Belo Horizonte. Portinari teve destaque nos dois eventos e acabou, assim, tornando-se o principal nome da vertente artística no país.

Destacam-se “O Violinista” (1931) e “As Moças de Arcozelo” (1940), dentro do seu universo de trabalhadores, meninos de rua, brincadeiras infantis e muita poesia!

Onde: Galeria de Arte Almeida e Dale: R. Caconde, 152 – Jardim Paulista. Telefone: 3887-7130

Acervo Afro Brasil

O espaço abriga 1.100 obras da coleção de arte negra do artista plástico Emanoel Araújo. Entre as peças, estão máscaras africanas, esculturas, pinturas do século XIX, fotografias e trabalhos contemporâneos. Além da beleza das obras, os amplos espaços do museu favorecem ainda mais a apreciação do acervo.

Onde: Museu Afro Brasil: Av. Pedro Álvares Cabral, 1, portão 10, térreo – Parque Ibirapuera – Sul. Telefone: 3320-8900

Acervo permanente da fundação Ema Klabin

A exposição é composta de mais de 1.500 itens, como talhas do mineiro Mestre Valentim, mobiliário e peças arqueológicas e decorativas, além de trabalhos de artes visuais. Destacam-se pinturas de nomes como Candido Portinari, Tarsila do Amaral e Marc Chagall.

A visita, que precisa ser agendada, é um deleite. A mansão, localizada no coração dos Jardins, foi concebida arquitetonicamente para abrigar uma rica coleção que vai da arte pré-colombiana a Salvador Dali. Durante a visita guiada, revelam-se muitas curiosidades, como, por exemplo, a informação de que os óleos de temas marinhos de Tarsila do Amaral que decoram o quarto de hóspedes era uma homenagem que a empresária Ema prestava à irmã Eva, quando esta vinha visitá-la.

Ema também colecionava livros raros, os quais podem ser consultados mediante agendamento. As edições de “Menino do Engenho” e “Macunaíma” (da coleção Cem Bibliófilos do Brasil e nunca comercializadas), bem como uma edição rara e de luxo de “La Femme Rompue” (A Mulher Desiludida) de Simone de Beauvoir são admiráveis.

Onde: Fundação Cultural Ema Gordon Klabin: R. Portugal, 43 – Jardim Europa. Telefone: 3897-3232

Aos sábados, há concertos gratuitos no jardim. 

Coleção Brasiliana Itaú

A mostra apresenta 1.300 itens de duas coleções: Brasiliana e Numismática, que juntas somam quase dez mil obras.

A coleção Brasiliana, com quase mil obras, apresenta pinturas, desenhos, aquarelas, gravuras, mapas, documentos, livros e caricaturas que retratam o país desde a chegada dos colonizadores, cobrindo cinco séculos de história. Entre os destaques, chama a atenção o retrato de Dom Pedro II, feito em 1846 por Johann Moritz Rugendas (1802-1858). Há também muitas gravuras de nomes como Chamberlain, Auguste Sisson, Bertichem e Emil Bauch, creditados pelas primeiras reproduções das paisagens do país.

A coleção Numismática é composta de moedas, medalhas, barras de ouro e condecorações criadas desde a entrada dos portugueses até os dias atuais.

Todas as capas de livros e documentos estão reproduzidos no livro “Brasiliana Itaú”, obra-prima de iconografia e um dos melhores livros do gênero já lançados no Brasil: todo estudante que chega a um curso superior deveria adquiri-lo (valor: R$ 200,00), para melhor conhecer o patrimônio bibliográfico do Brasil.

Onde: Itaú Cultural: Av. Paulista, 149, 4º e 5º andar – Bela Vista. Telefone: 2168-1776

Ocupação Vila Nova Artigas 

Comemorando o centenário de nascimento desse genial arquiteto e urbanista, a 24ª Mostra da série “Ocupação” foca João Batista Vilanova Artigas (1915-1985), criador, entre outros projetos, do prédio da FAU (USP) e do estádio do Morumbi.

Artigas é apresentado como arquiteto, educador e homem público. Desenhos, maquetes, fotos, objetos, bilhetes, cartas, manuscritos e artigos compõem a exposição.

Onde: Itaú Cultural: Av. Paulista, 149, piso Mezanino, 1º andar – Bela Vista – Centro. Telefone: 2168-1776

Memorial da Resistência de São Paulo

O Memorial da Resistência, vinculado à Pinacoteca do Estado de São Paulo, é uma instituição dedicada à preservação de referências das memórias da resistência e da repressão política do Brasil republicano por meio da musealização de parte do edifício que foi sede, durante o período de 1940 a 1983, do DEOPS – Departamento Estadual de Ordem Política e Social de São Paulo – uma das polícias políticas mais truculentas do país, principalmente durante o regime militar. Este espaço conserva as celas originais dos presos políticos durante a ditatura. 

O programa está estruturado em procedimentos de pesquisa, salvaguarda (documentação e conservação) e comunicação patrimoniais (exposição e ação educativo-cultural), orientados para os enfoques temáticos sobre resistência, controle e repressão política, por meio de seis linhas de ação que, atuando articuladamente, têm como objetivo fazer dessa instituição um espaço voltado à reflexão e que promova ações que contribuam para o exercício da cidadania, o aprimoramento da democracia e a valorização de uma cultura em direitos humanos.

Onde: Largo General Osório, 66 – Centro. Telefone: 3335-4990
A exposição é permanente. 
Aberto de terça a domingo, das 10h às 18h. Entrada gratuita.

Site: http://www.memorialdaresistenciasp.org.br

Hendrix – Hear My Train a Comin’ Hendrix Hits London

Até o dia 30 de julho, o público paulistano pode conferir a exposição Hear My Train a Comin’: Hendrix Hits London, sob a curadoria de Jacob McMurray do Experience Music Project Museum (EMP Museum).

Onde: Espaço JK 3° Piso, Av. Presidente Juscelino Kubitscheck 2041

Mais informações da exposição: (11) 3152-6810

Mais informação sobre a compra de ingressos: (11) 2626-0931

http://iguatemi.com.br/jkiguatemi/eventos/agenda/hendrix-hits-london/

Truffaut – Um Cineasta Apaixonado

Concebida pela Cinemateca Francesa sob a curadoria do jornalista e crítico de cinema Serge Toubiana, a mostra é dedicada ao cineasta François Truffaut (1932-1984), importante nome da Nouvelle Vague. Reúne mais de 600 itens, como roteiros com anotações, entrevistas do diretor, fotos e acessórios do filme “O último metrô” (1980).

Onde: MIS – Espaço expositivo e espaço redondo: Av. Europa, 158 – Jardim Europa. Telefone: 2117-4777

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