39ª Mostra Internacional de Cinema

39ª Mostra Internacional de Cinema


39ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Apesar da tão falada crise, a Mostra Internacional de São Paulo (uma das maiores do mundo), não parece ter sido abalada: trouxe 311 filmes de 62 países, espalhados por mais de vinte salas.

O maior destaque deste ano é a produção nórdica, que contempla 65 títulos da Escandinávia e Islândia. Só desta última, cuja produção é bastante escassa e nunca chega às telas brasileiras, são 13 títulos, incluindo os premiados A Ovelha Negra e Pardais.

Outro destaque é um conjunto de filmes clássicos restaurados pela Film Foundation. Entre outros, estão Bom dia, tristeza; A cor da romã, A Grande Guerra e Manilla nas garras da luz.

O italiano Elmanno Olmi e o chileno Patricio Guzmán são os dois homenageados e estarão em São Paulo apresentando suas novas produções. Olmi com um filme sobre a Primeira Guerra, Os campos voltarão, e Guzmán, que dedicou sua vida à crônica do Chile sob as garras de Pinochet, lança outro título sobre a nefasta história da ditadura chilena, O botão de pérola. A julgar pela cinematografia do diretor, O botão é certamente um dos títulos imperdíveis dessa Mostra.

Das produções brasileiras, o destaque é o premiado A terra e a sombra. Há também Ralé, inspirado em texto de Gorki, e com Ney Matogrosso e Zé Celso Martinez no elenco. Ney estará presente num dos debates da série MEMÓRIAS DO CINEMA.

Entre os documentários nacionais, estão Chico – Um artista brasileiro; Betinho – A Esperança equilibrada e Massao Ohno – Poesia presente. Este último dificilmente entrará em cartaz e é uma bela surpresa para os bibliófilos, já que Massao Ohno foi um dos editores mais sofisticados que o Brasil já conheceu, tendo lançado várias e belas edições, entre cerca de mil títulos, dos livros de Hilda Hilst.

Ainda entre os nacionais, haverá a reprise do clássico dos clássicos, Limite, de 1931, de Mário Peixoto. Mário tinha cerca de 20 anos quando rodou este filme, considerado até hoje como o mais importante do cinema brasileiro. E para quem eventualmente não conhece, tente assistir Onde a Terra acaba (não presente na Mostra), um delicado e excelente documentário de Sérgio Machado sobre Peixoto.

Este ano, a Mostra contemplou poucos documentários. Entre os estrangeiros estão A vida está esperando: Referendo e resistência no Saara Ocidental, lembrando que o Saara Ocidental é a última colônia europeia na África; Quero falar com o gerente (sobre os efeitos da globalização) e, para os cinéfilos, Tarkóvski: o tempo dentro do tempo.

Miguel Gomes, o aclamado diretor de Tabu e Aquele querido mês de agosto, comparece com a trilogia As mil e uma noites, enquanto o grande diretor filipino Brillante Mendoza apresenta Armadilha. Outro filme que pode encerrar uma boa surpresa é Catedrais da cultura (em 3D), assinado por vários diretores, entre os quais Wim Wenders.

Esses são apenas alguns destaques em meio às mais de três centenas de filmes. É importante frisar que a Mostra se faz não só de clássicos, premiados e homenageados mas, talvez, sobretudo das descobertas que cada espectador pode fazer.

Para saber tudo sobre a Mostra (filmes, sessões, destaques, endereços, preços) clique aqui.

Nas salas do Shopping Frei Caneca as filas costumam ser grandes nos fins de semana. Recomenda-se a aquisição do ingresso antecipadamente pelo sistema ingresso.com.

No CCSP, cujo ingresso é vendido apenas uma hora antes de cada sessão e custa apenas 1,00 real, recomenda-se chegar com boa antecedência, pois todas as sessões (sobretudo agora que foi adquirido novo equipamento de projeção) costumam lotar.

E bem-vindos a essa grandiosa festa em que se conjugam arte e reflexão como em nenhuma outra.

César Veronese – Professor do CPV Vestibulares

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