FESTA DO LIVRO NA USP

FESTA DO LIVRO NA USP


Como todos os anos, dezembro é o mês de comprar livros na USP. A mega FESTA DO LIVRO traz novamente mais de 150 editoras que venderão seus títulos com pelo menos 50% de desconto. Ao contrário das liquidações anunciadas ao longo do ano por editoras e livrarias, que procuram se desfazer de encalhes, grande parte dos títulos disponibilizados na Festa do Livro da USP são obras de referência nas diferentes áreas do conhecimento.

É impossível adivinhar quais títulos estarão disponíveis, mas há os carros-chefe de cada editora e que tradicionalmente estão presentes na Festa.

Algumas sugestões de obras de referência para quem está formando sua biblioteca são:

Os livros da editora COSAC NAIFY. Os leitores brasileiros foram golpeados na semana passada com a lamentável notícia do encerramento das atividades da Editora, após 19 anos de atividades, com o lançamento de cerca de 1.600 títulos que a tornaram uma referência internacional na publicação de livros de arte e literatura. Como explicou o editor Charles Cosac em entrevista ao Estadão, a Editora foi criada não para reeditar livros em domínio público mas para lançar títulos que tenham “relevância em arte”. Seu catálogo é, portanto, mais que precioso, tanto em arte e literatura como cinema, arquitetura, música, design e antropologia.

Entre tantos títulos, estão os 4 volumes da série MITOLÓGICAS, de Lévi-Strauss; as excelentes traduções de Rubens Figueiredo das obras de Tolstoi (ANA KARÊNINA, GUERRA E PAZ e os CONTOS COMPLETOS) e muito do melhor que a língua inglesa produziu no século XX, como os livros de Virginia Woolf, William Faulkner e Gertrude Stein. Outra preciosidade do catálogo é uma ótima edição de O AMANTE, de Marguerite Duras, com um belo posfácio de Leyla Perrone Moisés. Outra pérola é o livro de arte OBJETOS (sobre Farnese de Andrade), que traz, entre outros, um excepcional estudo sobre o artista assinado pelo próprio Charles Cosac.

A CIA. DAS LETRAS é sempre uma das editoras mais disputadas. Leva para a Festa apenas uns 200 dos mais de 3 mil títulos do seu catálogo. Duas de suas maravilhas são TODA POESIA, de Paulo Leminski (um best seller de poesia, acreditem!), que reúne todos os livros de poesia  (que estavam dispersos por várias editoras e eram oferecidos a preço de ouro pelos sebos) e VIDAS (reunindo outros quatro livros que estavam esgotadíssimos: as biografias de JESUS CRISTO, BASHÔ, TROTSKI e CRUZ E SOUSA). Essas biografias (melhor seria dizer antibiografias, pela total ausência de convencionalismos) são das mais instigantes já escritas em qualquer língua. De Leminski existe também o delirante CATATAU, reeditado pela editora ILUMINURAS, e o saboroso, inteligentíssimo e obrigatório ENSAIOS E ANSEIOS CRÍPTICOS, em reedição (triplicada em relação à original) da EDITORA DA UNICAMP. Se porventura o título comparecer à Festa, uma obra que já nasceu clássica e integra o catálogo da Cia. Das Letras é IDEOLOGIA E CONTRAIDEOLOGIA, de Alfredo Bosi. Outro título mais do que recomendado é o espetacular COMO MORREM OS POBRES, conjunto de brilhantes ensaios de George Orwell publicados por sugestão editorial de João Moreira Salles.

A Editora 34, como faz todo ano, leva o catálogo completo de suas bem cuidadas traduções do russo (especialidade da casa). Já são dezenas de títulos de Dostoiévski, Tchekhov, Gógol, Leskov e tantos outros. Há também os livros da Coleção Leste, que traz títulos de outros autores da Europa Oriental. Um livro obrigatório é o divertidíssimo HISTÓRIAS APÓCRIFAS. Outro carro-chefe da Editora 34 são os vários livros dedicados à história da MPB, todos obrigatórios, mas destaco os dois volumes (reeditados e ampliados este ano) de A CANÇÃO NO TEMPO. Há também clássicos da crítica literária, como UM MESTRE NA PERIFERIA DO CAPITALISMO (um dos ensaios mais importantes já escritos sobre Machado de Assis), de Roberto Schwarz.

A EDITORA FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO possui um catálogo pequeno, mas de referência no pensamento social brasileiro.  Duas coleções em que todos os títulos são importantes são a História do Povo Brasileiro (entre outros destacando-se BRASIL: MITO FUNDADOR E SOCIEDADE AUTORITÁRIA, de Marilena Chauí, e O IMPÉRIO DO BELO MONTE, de Walnice Nogueira Galvão, este último a melhor introdução a OS SERTÕES), e a coleção de volumes de ensaios sobre os intérpretes do Brasil: SÉRGIO BUARQUE E O BRASIL, GILBERTO FREYRE E O BRASIL, MILTON SANTOS E O BRASIL…. O volume essencial da coleção é RAYMUNDO FAORO E O BRASIL.

Para se iniciar no pensamento das grandes interpretações do país, um livrinho fundamental é SETE LIÇÕES SOBRE AS INTERPRETAÇÕES DO BRASIL, de Bernardo Ricupero, editado pela ALAMEDA e sempre presente na Festa.

Ainda como obra obrigatória para conhecimento do Brasil, costuma comparecer à Festa do Livro o volume UM DEFUNTO ESTRAMBÓTICO, de Valentim Facioli. O livrinho é publicado pela NANKIN e é uma das melhores introduções ao pensamento de Machado de Assis.

A BOITEMPO, dona de um dos melhores catálogos de livros sobre geopolítica, costuma comparecer com vários dos títulos da sua excepcional coleção Estado de Sítio, dos quais destaco o clássico VIDEOLOGIAS, de Eugenio Bucci e Maria Rita Khel, e o essencial RITUAIS DE SOFRIMENTO (sobre a relação entre os açougues televisivos e os processos de competição nas empresas), de Silvia Viana, professora de Sociologia da FGV. Outro clássico da BOITEMPO é o DICIONÁRIO DA AMÉRICA LATINA.

A PAPIRUS EDITORA contempla seus leitores com livros de referência sobre o cinema, como os de Jacques Aumont, Fernando Mascarello e Guy Gauthier, entre tantos outros.

A AEROPLANO, editora carioca, tem em seu catálogo uma das melhores obras de arquitetura já editadas no país: QUANDO O BRASIL ERA MODERNO, de Lauro Cavalcanti, saboroso livro ilustrado obrigatório para arquitetos e não arquitetos. Um livro sobre uma época (1928-1960) quando o Brasil tinha uma arquitetura de reconhecimento internacional.

Clássicos da literatura brasileira e portuguesa, em cuidadosas edições com ótimos estudos críticos e abrangentes notas de rodapé, costumam estar disponíveis no catálogo da Ateliê Editorial, que também exibe grandes clássicos gregos, latinos, franceses e italianos.

A festa dos quadrinhos fica por conta da editora CONRAD. Para todos os gostos, inclusive com versões em quadrinhos de clássicos das literaturas portuguesa e brasileira.

Uma das grandes oportunidades de aquisições na FESTA são as editoras de universidades, cujos títulos muitas vezes bastante específicos, nem sempre estão disponíveis em livrarias. EDUSP, UNICAMP, UNESP e editoras de várias universidades federais estarão presentes. A EDUSP sempre leva (a preços mais do que módicos) suas edições da REVISTA USP e da REVISTA do INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS. Essas edições trazem ótimos dossiês (sempre destacados na capa de cada número) dos mais diferentes e relevantes assuntos. São dezenas e dezenas de números dessas revistas! E já que a Festa não é nada modesta, torçamos para que a UNESP leve para a USP os cinco volumes que acaba de lançar (pela primeira vez em português) da ENCICLOPÉDIA de Diderot.

A PERSPECTIVA, a maior editora de títulos de teatro do país, possui um catálogo invejável encabeçado pela infinita coleção DEBATES. Entre tantos autores, edita alguns dos livros do poeta e erudito Haroldo de Campos, como os instigantes  XADREZ DE ESTRELAS e ENTRE MILÊNIOS.

A Editora 7 LETRAS lançou, de Haroldo de Campos, A EDUCAÇÃO DOS CINCO SENTIDOS, uma pérola que reúne vários livros do poeta que estavam fora de circulação há décadas.

Além da 7 LETRAS e da ATELIÊ, a editora ILUMINURAS também se dedica à publicação de poesias (cada vez menos editadas em época de tantas bobagens cinzas). Entre tantos títulos, a ILUMINURAS publica as delicadezas de Alice Ruiz.

A editora GLOBO tem títulos de peso, como a obra completa de HILDA HILST e os sete volumes (em impecável tradução) de EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO, de Proust.

A TASCHEN exibe centenas de títulos em arte, tudo com o seu mais do que reconhecido padrão de texto e traduções.

Em outros anos, o INSTITUTO MOREIRA SALLES liquidava a preços baixíssimos suas publicações  (todas de excepcional qualidade). Nos dois últimos anos, os títulos levados para a USP não foram os mais atrativos. De qualquer modo, seus CADERNOS DE LITERATURA e suas publicações sobre fotografia, caso compareçam, são imperdíveis.

Bem, aí estão meia dúzia de sugestões em meio a tantas maravilhas que nos aguardam. No Ano da Graça de Nosso Senhor de 2016, quando o Brasil presenciou as desgraças que se abateram sobre a editora Cosac Naify e a Livraria Leonardo da Vinci no Rio, quando a imprensa assume cada vez mais o tom de uma conversa de comadre (“Você sabia que…?”), quando o setor de reservas da livraria Cultura na Av. Paulista está a cada dia com os seus escaninhos mais esvaziados, e quando as pessoas acham cada vez mais vantajoso BAIXAR livros (para ler em telas e depois descartá-los como um hot dog digerido), a FESTA DO LIVRO DA USP é um voto de confiança que ecoa o velho Lobato, que, entre ousadias e conservadorismos, não deixava nunca de insistir que “um país se faz de homens e de livros”!.

ONDE: CIDADE UNIVERSITÁRIA. Nos galpões situados entre a Raia Olímpica e a Praça do Relógio.

QUANDO: de 09 a 11.12.15, das 9h00 às 22h00

ENTRADA: franca

FORMAS DE PAGAMENTO: em geral quase todas as editoras aceitam débito. Recomenda-se levar dinheiro (algumas editoras pequenas não estão conectadas com o sistema bancário).

Prof. César Veronese (CPV VESTIBULARES)

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