Pesquisa aponta preferência de jovens universitários por livros de papel

Pesquisa aponta preferência de jovens universitários por livros de papel


Se você é daqueles que precisa segurar um livro e ter o prazer de folheá-lo para concluir a leitura, pode ficar despreocupado pois não está sozinho. Uma pesquisa recente da American University, em Washington, Estados Unidos, provou que, mesmo nos dias atuais, com a facilidade da internet e das plataformas digitais, a preferência pelo livro de papel continua evidente entre jovens universitários.

A pesquisa faz parte do livro Words Onscreen: the Fate of Reading in a Digital World (Palavras na tela: o destino da leitura no mundo digital), da professora de Linguística da Universidade, Naomi Baron,  e o resultado foi devastador: 92% dos universitários revelaram essa preferência.

De acordo com a professora, a leitura no papel tem componentes singulares, como o físico, o tátil e o cinestético. Ela e sua equipe entrevistaram 300 estudantes de países como Estados Unidos, Japão, Alemanha e Eslováquia. Nos dados eslovacos, por exemplo, um em cada dez alunos disse gostar do cheiro dos livros.

A explicação para a “geração digital” preferir os livros físicos seria a facilidade de distração quando se usa o tablet, o celular ou o computador e também o cansaço dos olhos, acompanhado de dores de cabeça e desconforto físico.

Porém, um forte argumento dos estudantes a favor dos digitais foi a questão da reciclagem e da enorme quantidade de madeira proveniente das árvores destruídas pela indústria do papel.

Mas o digital não foi deixado de lado pelos universitários questionados. As novas plataformas são as preferidas pelos jovens na hora de acompanhar as notícias ou quando a leitura tem forte aspecto visual.

No Vestibular

Este assunto foi tema da redação do Vestibular 2016 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Veja como ele foi apresentado.

Observe a charge abaixo.

charge

(Marco Aurelio. Zero Hora. 7 novo 2015.)

A charge faz referência à Feira do Livro de Porto Alegre. Na imagem, vê-se um grande número de pessoas, provavelmente visitantes, que não tiram os olhos de seus tablets e smartphones, o que sugere certa redução do protagonismo do livro, mesmo em uma feira de livros. O autor da charge apresenta seu ponto de vista sobre essa situação de uma perspectiva, sem dúvida, crítica, que pode ser inferida da expressão facial do livreiro.

Essa questão adquire contornos mais complexos, se avaliada a partir da passagem abaixo, também recentemente publicada.

[ … ] fiquei sabendo que a Amazon Books – a livraria onIine mais famosa do mundo – havia inaugurado sua primeira loja física nos Estados Unidos. Depois de duas décadas de vendas pela internet, ameaçando a existência das livrarias tradicionais, a gigante do comércio eletrônico se instalou numa loja de shopping com os 6 mil títulos mais vendidos e mais bem avaliados no seu site. Ou seja: em vez do texto virtual, para os leitores digitais, ou da encomenda online, as pessoas poderão pegar o livro na mão, apertar como se fosse um tomate, folhear e cheirar à vontade, exatamente como fazem os frequentadores da nossa feira porto-alegrense. E o mais importante: poderão levar o produto com elas, abrir e consumir em qualquer lugar, sem necessidade de bateria, wi-fi ou 3G,.

Finalmente, e a título de informação suplementar, cabe lembrar a opinião de Umberto Eco e JeanOaude Carriere, em um livro cujo título é sugestivo, Não contem com o fim do livro.

“Das duas, uma: ou o livro permanecerá o suporte da leitura, ou existirá alguma coisa similar ao que o livro nunca deixou de ser, mesmo antes da invenção da tipografia, As variações em torno do objeto livro não modificaram sua função, nem sua sintaxe, em mais de quinhentos anos, O livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Uma vez inventados, não podem ser aprimorados, Você não pode fazer uma colher melhor que uma colher […] O livro venceu seus desafios e não vemos como, para o mesmo uso, poderíamos fazer algo melhor que o próprio livro, Talvez ele evolua em seus componentes, talvez as páginas não sejam mais de papel. Mas ele permanecerá o que é”

(ECO, Umbertoi CARRIERE, lean-Claude. Não contem com o Rm do livro. Trad. André Telles. Rio de Janeiro-São Paulo: Record, 2010. p. 14.)

A partir da leitura dos textos e considerando que, atualmente, discute-se, de diferentes pontos de vista, o futuro do livro no mundo contemporâneo, escreva um texto dissertativo sobre o tema abaixo:

O livro na era da digitalização do escrito e da adoção de novas ferramentas de leitura

Para desenvolver seu texto,

– defenda um ponto de vista específico de abordagem do tema;
– apresente argumentos que fundamentem seu ponto de vista sobre a abordagem do tema.

Instruções
A versão final do seu texto deve:
1 – conter um título na linha destinada a esse fim;
2 – ter a extensão mínima de 30 linhas, excluído o título – aquém disso, .seu texto não será
avaliado -, e máxima de 50 linhas. Segmentos emendados, ou rasurados, ou repetidos, ou linhas em
branco terão esses espaços descontados do cômputo total de linhas.
3 – ser escrita, na folha definitiva, com caneta e em letra legível, de tamanho regular.

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