Sem prova ou trabalho escrito: a leitura virou caça ao tesouro e debate

Sem prova ou trabalho escrito: a leitura virou caça ao tesouro e debate


Atividades lúdicas podem ser mais eficientes para cobrar a leitura de livros paradidáticos do que as tradicionais provas. A professora do português do Colégio CPV, Adna Rodrigues, conta a experiência que aplicou em duas turmas.

O 6º ano do Ensino Fundamental ganhou um exercício inspirado na própria obra, Mistério no Museu Imperial, de Ana Cristina Massa. “Como o livro envolvia mistério e investigação, criei uma caça ao tesouro dentro da escola”, explica Adna.

A dinâmica era simples: divididos em duplas, eles precisavam responder corretamente a uma pergunta sobre o livro. Ao acertar, o par ganhava um enigma que deveria ser solucionado para levar a outra pessoa dentro do Colégio. Essa pessoa seria a portadora de uma nova pergunta e um outro enigma. Tudo aconteceu no período de uma aula. “As duplas tinham que mostrar conhecimentos sobre o enredo, mas também ter uma noção de quem são as pessoas que trabalham na escola e o que cada uma faz”, conta Adna.

Professora Adna Rodrigues com a dupla vencedora da Caça ao Tesouro

Professora Adna Rodrigues com a dupla vencedora da Caça ao Tesouro

No final da atividade, houve uma dupla vencedora, claro. Mas o andamento da investigação mostrou até onde cada aluno tinha ido na leitura e compreensão do enredo. “A nota foi atribuída em cima da capacidade de cada aluno em responder às questões”, conclui Adna.

Debate

O 7º ano, por sua vez, transformou a avaliação em um evento com três objetivos diferentes. Em uma única aula, fizeram um debate sob a supervisão de três professores: Alex Alves, de Atualidades, Christianne Botosso, de Redação e Adna Rodrigues, de Português. O ponto de partida, novamente, foi a leitura do livro paradidático: O Garoto da Novela, de Walcyr Carrasco. “A partir do enredo e de discussões prévias sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e também sobre a legislação trabalhista, além de pesquisas individuais de pontos de vista favoráveis e contra o trabalho artístico de crianças, montamos o debate”, diz Adna.

A turma do 6º Ano, ao fundo, foi convidada a assistir ao debate do 7º Ano

A turma do 6º Ano, ao fundo, foi convidada a assistir ao debate do 7º Ano

A sala não foi dividida de maneira a ter grupos a favor ou contra. Além disso, os alunos tiveram que seguir as regras do debate, esperando a vez para falar, e ouvindo o que os outros diziam. “A intenção era fazer eles pensarem sobre a realidade atual, como o trabalho como modelo e também o dos youtubers”, conta Alex Alves.

A aluna Isabela Aretz conta que a experiência foi bastante interessante. “Eu havia feito uma pesquisa sobre o trabalho em publicidade infantil e formado uma opinião bastante contra, mas, nas conversas, vi que há casos que podem ser bons”, diz. A colega Isabella Moraes também gostou da aula. “Foi bom ouvir a opinião dos outros e ganhar outros argumentos que reforçam minha opinião”, conta.

Em Redação, os alunos estão na fase de começar a trabalhar parágrafos argumentativos, e o momento será recuperado em sala de aula. “Eles ainda não têm fôlego para escrever um texto inteiro, mas vamos trabalhar como colocar no papel alguns pontos falados do debate”, completa Christianne Botosso.

Matéria publicada originalmente no Blog do CPV no Estadão

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