Enem 2017: professores comentam provas de Linguagens, Humanidades e Redação

Enem 2017: professores comentam provas de Linguagens, Humanidades e Redação


A primeira prova do Enem 2017 foi aplicada neste domingo, dia 5 de novembro. Ao todo, 30,2% dos 6,73 milhões de inscritos não compareceram ao exame, composto dos cadernos de Linguagens e Códigos, Ciências Humanas e da Redação.

Veja abaixo como os professores do CPV avaliaram a prova.

Redação

A proposta de redação surpreendeu bastante pelo tema apresentado: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”. De acordo com Maria Teresa Nastri de Carvalho, professora no CPV,  a aposta era a de que o assunto não seria polêmico, especialmente pelo contexto social e político atual. “Entretanto, essa posição é questionável, em virtude da amplitude e relevância do problema”, pondera.

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Para a professora, a questão deve ser discutida na sociedade, mas, no que se refere a uma reflexão em nível nacional, por atingir uma pequena parcela da população, talvez em outra esfera de debate. “A meu ver, seria mais acertado e relevante que o questionamento ampliasse o olhar para uma educação inclusiva. Sem dúvida, isso abrangeria, sim, um número muito mais expressivo, tendo em vista atingir brasileiros com necessidades especiais variadas, como os indivíduos portadores de dislexia, ou de deficiência visual, por exemplo”, completa.

Como a abordagem do assunto é muito restrita, a tarefa não parece ter sido muito tranquila. Os caminhos mais prováveis de abordagem do tema que poderiam ser trilhados são o da previsível importância de uma educação de qualidade desde a base, que seja inclusiva. “Outro ponto a ser explorado seria a importância de disseminar a língua de sinais, Libras, de modo que a sociedade, em seu espectro mais abrangente, possa conviver de forma mais integrada com as pessoas com esse tipo de necessidade especial”, finaliza.

Ciências Humanas

A prova de Geografia deste ano causou estranheza pela ausência de recursos visuais, anteriormente bastante explorados pela Banca Examinadora. “Das 17 questões, apenas 5 usaram algum tipo de mapa ou tabela”, pontua o professor Adriano Baroni. Temas que apareciam em maior frequência na prova, como globalização e conflitos geopolíticos, também ficaram restritos a perguntas pontuais. Por outro lado, a Geografia Física apareceu com mais força, com questões sobre clima, geologia, vegetação e solos. “No geral, a prova trabalhou com conceitos tradicionais, pedindo muito mais conhecimento da disciplina do que análise, interpretação e pensamento crítico”, avalia Baroni.

Em História, ainda que se comemore a cobrança de uma questão da História da África, sobre a riqueza econômica do Império do Mali no século XIV, sentiu-se falta de questões referentes à História da América Latina, parte importante do programa da disciplina. Essa é a opinião do professor Jackson Farias. Ele ainda ressalta que, nas questões de História do Brasil, percebeu-se a opção por destacar o período do Império, contemplado em duas questões sobre a escravidão e uma sobre a Lei de Terras, e o período Republicano, cobrado em questões como a propaganda do Estado Novo, o movimento queremista e as cotas que visam aumentar a participação feminina nos partidos políticos atuais. Em História Geral, além de temáticas tradicionais do programa, caso da Revolução Francesa e do desenvolvimento da vida urbana na Baixa Idade Média, observou-se uma inclinação para questões relacionadas ao século XX, cujas consequências se prolongam até os dias atuais, como é o caso da Declaração dos Direitos Humanos e do poderio norte-americano após o fim da Guerra Fria. “O nível de dificuldade da prova de História não diferiu de um padrão já consolidado nos exames do Enem, cujas seleções de texto primam por trechos curtos, mas que exigem dos candidatos atenção na interpretação e, sobretudo, na escolha das alternativas que completem os raciocínios estabelecidos nas questões-problema”, diz.

As questões de Filosofia estavam desafiadoras, pedindo, mais do que  uma boa interpretação de texto, conhecimentos específicos do aluno. “Além dos temas clássicos da Filosofia como os pré-socráticos, Sócrates, Moral e Ética, a prova dialogou com as transformações mais recentes, como Democracia e Representatividade”, analisa o professor Victor Steiner. Para ele, o grande destaque foi exatamente a Filosofia política, com ênfase na teoria da Justiça Normativa, com questões que mencionam pensadores como Jeremy Bentham e John Rawls. As questões de Sociologia também estavam conectadas com as temas atuais, pendendo mais para a política do que para a cultura, como no ano passado, e fugindo das teorias clássicas de Émile Durkheim e Max Weber. “As questões abordaram temas pertinentes à Europa e ao Brasil, como aculturação, relações sociais, democracia, preservação cultural indígena e direitos humanos”, completa Steiner.

Linguagens e Códigos

De acordo com o professor Caco Penna, as questões de Linguagens e Códigos mantiveram o mesmo perfil dos anos anteriores. Para ele, foi exigido o esperado para o exame: questões de assuntos genéricos, cobrando do aluno leitura e conhecimentos gerais.  A partir de uma coletânea extensa e cansativa, a prova explorou diversos gêneros de expressão literária e artística, verificando não apenas a leitura atenta como também algumas possíveis relações com assuntos relacionados à arte, que poderiam servir de apoio para a escolha da alternativa correta”, diz. “Apesar de algumas questões possuírem alternativas que pudessem gerar questionamentos, no geral a prova foi bem clara e direta”, finaliza.

 

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