FGV Economia teve assuntos raros; professores comentam

FGV Economia teve assuntos raros; professores comentam


Os candidatos a uma das 70 vagas da FGV Economia destinadas ao vestibular passaram ontem (19 de novembro) pela maratona da 1ª fase. De manhã foram 75 questões de Matemática, Biologia, História e Geografia. À tarde foram mais 60 questões de Inglês, Língua Portuguesa, Física e Química. Veja abaixo o que os professores do CPV acharam da prova. Os classificados para a próxima fase serão divulgados no dia 1º de dezembro e a prova será no dia 10 de dezembro.

A prova de Matemática da FGV Economia é longa – a segunda maior prova em número de questões, atrás apenas do Enem – e costuma ser difícil. “Ela já foi mais complicada; o grau de dificuldade baixou um pouquinho, mas segue sendo bastante alto e conceitual, até um pouco exagerado para um candidato ao Curso de Economia”, diz o professor Alexandre (Batata) Rodrigues. De acordo com ele, a Banca Examinadora propõe questões que requerem poucas contas, mas exigem que o aluno saiba os conceitos. O professor também ressalta que, neste ano, a instituição cobrou temas incomuns, como Seções Cônicas (elipse) e Binômio de Newton.

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A prova de Biologia também não facilitou a vida dos candidatos. “O Exame da FGV Economia tem se notabilizado por trazer questões difíceis, mas nesse ano a Banca foi especialmente rigorosa”, diz Guilherme Schatzer, professor da disciplina. Schatzer destaca a incidência de questões sobre temas presentes no programa do Ensino Médio, como Embriologia Animal e Relação Filogenética dos Animais, mas que são raros em vestibulares, principalmente com o nível de exigência conceitual demandado. “A tendência é que a grande maioria dos vestibulandos tenham nota baixa nessa disciplina, o que acaba prejudicando o índice discriminatório dos candidatos e como consequência faça a prova perder sua utilidade para classificação”, diz.

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A prova de História teve um bom equilíbrio com relação aos temas e aos períodos abordados, mas apresentou uma estrutura trabalhosa, que demandou grande esforço dos alunos. De acordo com o professor Tiago Rozante, alguns enunciados continham textos densos, de difícil leitura e que não ajudavam a encontrar a resposta adequada. “O excerto servia muito mais para introduzir a pergunta, que não precisava dele para ser resolvida”, diz. No geral, a prova teve grau de dificuldade mediano, com três questões muito fáceis, que não exigiam um conhecimento muito profundo, e outras três muito difíceis, que selecionam alunos com formação mais específica.

Na prova de Geografia, o professor Adriano Baroni chama a atenção para o número de questões ligadas ao meio ambiente. Além da presença acentuada de questões vinculadas a conceitos da geografia física relacionados com a questão ecológica – 9 das 15 perguntas, até mesmo as questões que abordaram temas econômicos, como a de matriz energética ou a de exportação de soja, estão ligadas ao pensamento ambiental. “Desvincular o desenvolvimento econômico da realidade ambiental está ultrapassado”, diz Baroni. De acordo com ele, essa tendência é vista em outras provas, como Enem e Fuvest. Nesse sentido, a composição da prova da FGV Economia dá sinais de que a instituição está buscando alunos com uma consciência mais ampla das consequências dos atos humanos para o planeta. Ainda segundo Baroni, essa visão está de acordo com alguns autores, para os quais a grande questão geopolítica atual é a sobrevivência dos modelos de sociedade, de produção e de consumo, que estão colocando o planeta à beira da destruição. “Entender a geopolítica como sinônimo de conflitos ou luta pelo poder econômico é reduzir seu significado, o conceito é muito mais amplo”, finaliza.

A prova de Inglês, diferentemente dos anos anteriores, foi totalmente baseada em um único texto, bastante longo. A matéria, datada de agosto de 2017, foi retirada da revista The Economist e versava sobre os ganhos do PSG com a aquisição do jogador Neymar. Nas 15 questões, a Banca exigiu interpretação de texto, vocabulário e gramática. “Acertar mais de dez questões será um bom diferencial no processo seletivo”, na opinião dos professores Sérgio Klass e Renato Aizenstein.

A prova de Física seguiu o padrão dos anos anteriores, com um grau de dificuldade médio e questões teóricas e analíticas. A mudança em relação ao ano anterior foi a incidência de uma variedade maior de assuntos. “Esse ano, todas as áreas da Física clássica foram contempladas”, pontua o professor Ricardo Meca. Ele ainda ressalta que três questões abordaram mais de um assunto da disciplina, o que exigiu bastante conhecimento dos alunos.

A prova de Química foi menos complexa que a dos anos anteriores. “As questões exigiram poucos cálculos e foram mais conceituais”, avalia Elcio Bertolla, professor da disciplina. No geral, os enunciados foram todos claros e precisos e o assunto foi bem equilibrado em relação ao conteúdo do Ensino Médio.

No fim do dia, os alunos ganharam um certo respiro: a prova de Língua Portuguesa apresentou, no máximo, grau médio de dificuldade. “Como de costume, a prova foi marcada pela objetividade e pela clareza na exigência dos conteúdos”, na opinião do professor Vidal Varella Filho. Com uma quantidade maior de questões sobre interpretação de textos, o exame também cobrou conhecimentos clássicos sobre ortografia, gramática, semântica e estilística.

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