Fuvest 2018: professores comentam a 1ª fase

Fuvest 2018: professores comentam a 1ª fase


No último domingo, 125.015 inscritos, entre candidatos e treineiros, prestaram a 1ª fase da Fuvest. A abstenção, de 9,2%, foi a menor dos últimos sete anos. Veja abaixo o que os professores do Cursinho CPV acharam da prova. O resultado da 1ª fase será divulgado no dia 18 de dezembro e as provas da 2ª fase serão aplicadas nos dias 7, 8 e 9 de janeiro de 2018.

Baixe a resolução da 1ª Fase da Fuvest 2018

Matemática
Apesar da prova ter mantido a característica de cobrar conteúdo e conceitos, houve uma grande mudança no seu estilo e na escolha dos assuntos. De acordo com o professor Nélio Kikuchi, os conceitos normalmente presentes em Geometria, como o Teorema de Pitágoras, a Semelhança de Triângulos, o Teorema dos Cossenos e a Geometria Espacial foram ignorados. “Sentimos também a ausência de questões de Progressões Aritmética e Geométrica, Geometria Analítica, Matrizes e Determinantes e Máximos e Mínimos de Funções”, diz.

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Veja aqui seu desempenho por disciplina e o comparativo com outros candidatos

Física
O padrão de prova, de propor 11 questões claras, foi mantido, assim como a já tradicional distribuição dos conteúdos. “Vale destacar que não há mais o bloco separado de questões interdisciplinares e as 11 questões de Física vieram em sequência”, aponta Ricardo Meca. De acordo com o professor, mais uma vez houve predominância de Mecânica e Eletricidade. O nível de dificuldade e o tempo para resolução de cada questão foi variado, mostrando que a prova foi muito bem equilibrada. “A Banca Examinadora propôs algumas questões interessantes sobre assuntos do cotidiano e o destaque fica para a questão extremamente recente e contextualizada sobre a proibição da venda de lâmpadas incandescentes, um teste inteligente, que fechou com chave de ouro esta excepcional prova de Física”, diz.

Química
Para o professor Armando Müller, a prova apresentou, como de costume questões inteligentes e bem contextualizadas. “Foi uma ótima prova, bastante abrangente e muito seletiva”, diz. Ele avalia que a maioria das questões abordou mais de um assunto, o que contribuiu para a riqueza da avaliação.

Biologia
As questões dessa disciplina ficaram dentro das expectativas, com enunciados claros e alternativas objetivas. De acordo com o Professor João Tamayo, o grau de dificuldade contemplou os alunos bem preparados. “A interdisciplinaridade marcou presença, envolvendo Biologia e Química, como de hábito”, diz. Abrangente, a prova trouxe questões de várias áreas das Ciências Biológicas, com uma pequena predominância da Citologia.

Inglês
As questões de Inglês mantiveram o padrão de anos anteriores, concentradas em Texto, com alternativas em português. Dois textos curtos, de fontes renomadas (o jornal The New York Times e a revista The Economist) serviram como base para responder cinco questões de dificuldade média. “Alguns termos foram mais difíceis no que concerne ao seu significado, exigindo do candidato um repertório lexical mais abrangente, mas esse fator não foi determinante para permitir a compreensão dos textos como um todo”, diz o professor André Oliveira Godoy.

Língua Portuguesa e Literatura
As questões relacionadas à análise de texto apresentaram baixo grau de dificuldade, principalmente se comparadas às questões de anos anteriores. Enunciados simples, com alternativas que parafraseavam o texto, não exigiram do candidato alto grau de análise e capacidade de leitura e relação de ideias. “Embora tenha apresentado textos diversificados e explorado assuntos como figuras de linguagem, polissemia e relação semântica de preposição, a prova se manteve bem simples, bastando uma leitura atenta para alcançar uma pontuação satisfatória”, avalia o professor Caco Penna.

As questões de Literatura trouxeram alternativas claras, mas com respostas que não eram óbvias, exigindo raciocínio. “Às vezes, como na questão sobre o livro Sagarana, era necessário um bom conhecimento do seu enredo”, diz o professor Danislau. Com nível de dificuldade variado, algumas perguntas exploraram aspectos bastante óbvios, como a questão a respeito de O Cortiço, enquanto outras exigiram capacidade de relacionar textos bastante diferentes, como Memórias Póstumas de Brás Cubas e Minha Vida de Menina, além de pedir bom conhecimento dos enredos. Como tem ocorrido nos últimos anos, os livros novos introduzidos na lista da leitura obrigatória têm sido bem cobrados sempre na 1ª Fase. No ano passado, foi Mayombe; este ano, é Minha Vida de Menina. “Uma particularidade desta prova foi a exploração reduzida de relações entre as obras, se considerarmos que em outras provas a Fuvest chegou a relacionar cinco obras numa mesma questão.”, pontua o professor.

História
As questões de História apresentaram alto nível de complexidade, exigindo dos candidatos um bom conhecimento factual e capacidade analítica. A distribuição foi: duas questões de História do Brasil, duas de História da América e sete de História Geral. Alguns testes foram precedidos de longos enunciados, que exigiram apurada capacidade de interpretação textual. Apenas um teste – sobre a conquista do império Inca – demandava interpretação de imagem. O professor Marcos Linares ressalta a ausência de temas históricos relacionados às efemérides deste ano, como a Revolução Russa, lembrando que tais ausências são comuns na Fuvest. O professor também destaca as questões sobre a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU, e sobre a chamada “Escola estética Futurista” de Filippo Marinetti, ambos presentes também  no exame do Enem desse ano, além dsa questão sobre as lutas anticoloniais na África portuguesa, tema bastante presente na Fuvest nos últimos anos.

Geografia
As questões mantiveram o padrão dos anos anteriores, solicitando conhecimentos como massas de ar, cortiços, erosão, reservas indígenas e preservação / conservação ambiental, internet, petróleo, mudanças climáticas, correntes marítimas e geopolítica ambiental. De acordo com o professor Luis Carlos Parejo, as questões sobre o petróleo e sobre os cortiços e favelas exigiram conhecimentos mais detalhados e pontuais sobre estes assuntos. Ele ressalta que o exame exigiu atenção, capacidade de leitura e interpretação de textos, mapas, gráfico e tabela. “Nenhuma questão foi muito trabalhosa, mas os vestibulandos precisariam ter a habilidade de ler e interpretar adequadamente as informações disponibilizadas no exercício e dominar as informações necessárias sobre o assunto”, diz.

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