Fuvest 2018: veja como foi a 2ª fase

Fuvest 2018: veja como foi a 2ª fase


A 2ª Fase do Vestibular Fuvest 2018 encerrou ontem, dia 9 de janeiro, com um índice de abstenção de 8,52%, o menor desde 2009, quando foram registrados 6,9% de ausentes. Ao todo, 1.856 dos 21.70 convocados, incluindo treineiros, não compareceram em pelo menos um dos três dias de prova.

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Veja a seguir o que os professores do CPV acharam das provas, que selecionam alunos para as 8.402 vagas da USP, distribuídas em 182 cursos de graduação.

1º Dia – Língua Portuguesa, Literatura e Redação
A prova do primeiro dia da segunda fase Fuvest manteve seu padrão tradicional, com 6 questões de Língua Portuguesa, 4 de Literatura e uma Redação dissertativa-argumentativa. A surpresa do dia foi o tema escolhido para a Redação, os limites da arte, ser um assunto atual, diferente do que a Banca Examinadora tem proposto nos últimos anos.

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Em Língua Portuguesa, todas as questões tiveram um item de análise textual – ou de imagem, caso da primeira questão – seguido de um item de conceito aplicado, como mudança de tempo verbal ou transposição de discurso. “A prova seguiu o nível de dificuldade dos últimos anos, com enunciados claros e bem elaborados”, diz o professor Caco Penna.

As quatro questões de Literatura abordaram os romances Iracema, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Mayombe e o livro de poesias Claro Enigma, todas cobrando aspectos fundamentais para o entendimento de cada uma das obras. Para o professor Danislau Bernardes, essa abordagem facilitou a vida dos vestibulandos. “O item que talvez tenha trazido um pouco mais de dificuldade foi o que pediu para relacionar a estilística de um determinado trecho com a caracterização da personagem em questão”, diz.

2º Dia – Questões Interdisciplinares
A prova do segundo dia da segunda fase Fuvest começou com as duas questões de Inglês. Para o professor André Oliveira Godoy, elas tiveram grau médio de dificuldade, com a presença de vocábulos de difícil entendimento nos enunciados. “A prova exigiu um repertório lexical um pouco mais abrangente. Os alunos que tinham bom conhecimento sobre questões ambientais tiveram mais facilidade na elaboração das respostas”, diz.

Na parte de Humanidades, em História, que também teve nível de dificuldade médio, o destaque ficou por conta da questão sobre Imigração no Brasil. “Ela exigia dos estudantes habilidade de interpretação de imagem, no caso um mapa de São Paulo dos tempos imperiais, de onde deveriam ser extraídos elementos que configurassem propaganda oficial para atrair mão-de-obra imigrante para o país”, diz o professor Marcos Linares. Em Geografia, o professor Luiz Carlos Parejo avalia que a Fuvest não trouxe novidades, abordando temas frequentes, como agronegócio e escoamento superficial e infiltração de água no solo.

Em Matemática, o aluno teve que resolver problemas de geometria plana, funções e probabilidades. “Embora tenha sido uma escolha adequada de temas, não houve uma contextualização ou mesmo uma conexão com o propósito de um segundo dia, no qual, ao nosso ver, deveria haver uma abordagem mais geral dos temas, contemplando vestibulandos de diversas áreas”, avalia Nélio Kikuchi, da equipe de Matemática do CPV. Para ele, a questão 7 também pecou pela sua dificuldade, surpreendendo, provavelmente, até mesmo os melhores alunos da área de Exatas, com uma questão de complexidade desnecessária.

Já em Biologia, de acordo com o professor Guilherme Schatzer, as questões estiveram de acordo com o propósito do segundo dia, que pede conhecimentos gerais. “Com enunciados claros, que não suscitaram dúvidas de interpretação ou ambiguidades, elas não apresentaram grandes dificuldades para um aluno preparado”, diz. Em Química, o professor Armando Muller chama atenção para a importância que a interpretação de dados teve para a resolução das questões. “Não houve surpresas quanto ao conteúdo cobrado, mas a leitura atenta foi essencial para chegar aos resultados”, avalia. Fechando as Ciências da Natureza, Física apresentou uma questão literal, o que, para o professor Ricardo Meca, eleva o nível de dificuldade para os vestibulandos em geral, e uma questão com cálculos numéricos. “A prova poderia ser um pouco mais simples e interdisciplinar, já que o segundo dia abrange todos os convocados”, finaliza.

3º Dia – Conhecimentos Específicos
No terceiro dia da segunda fase, cada candidato responde a 12 questões de duas ou três disciplinas, de acordo com a carreira escolhida.

Os alunos que tiveram que resolver a prova de Matemática encontraram questões de probabilidades, funções, trigonometria, geometria analítica, geometria espacial, sequências e equações irracionais. Para o professor Nélio Kikuchi, o alto nível de dificuldade de algumas questões exigiu concentração, raciocínio e domínio de conteúdo, muitas vezes de forma desnecessária para se selecionar os melhores candidatos, principalmente para os candidatos da área de Humanas, como os que estão pleiteando uma vaga para Direito. “A repetição de assuntos do 2º para o 3º dia poderia ter sido evitada, explorando-se outros temas, como matemática financeira, matrizes, determinantes, sistemas lineares, entre outros, que foram esquecidos”, diz. O professor ainda sugere que uma análise detalhada do índice de discriminação de cada questão possa melhorar a prova para os próximos anos.

A prova de Física manteve o padrão dos anos anteriores, com quatro itens na maioria das questões. “O resultado é uma prova bem longa”, avalia o professor Ricardo Meca. Para ele, os números escolhidos para os cálculos não favoreceram o vestibulando e algumas questões eram de difícil interpretação. Quanto aos assuntos, a prova foi bastante abrangente, abordando Mecânica, Eletricidade, Termologia, Óptica e Ondulatória, os cinco principais ramos da Física. “Por estes fatores, a prova foi difícil, mas seletiva”, diz.

A prova de Biologia também foi abrangente, incluindo questões de vários setores da disciplina. Mas, para o professor Guilherme Schatzer, o nível das questões deixou a desejar. “Nenhuma delas, com exceção de um item da questão de genética, exigiu qualquer tipo de análise por parte dos candidatos; ao contrário, ficaram limitadas a cobrar memorização de informações”, diz.

A prova de Química, por outro lado, apresentou questões inteligentes e exigentes, na opinião do professor Armando Muller. “Foram cobrados conceitos importantes, de um conteúdo bem dosado e diversificado, favorecendo o aluno que se preparou de uma forma ampla e aprofundada”, conta.

Os alunos que tiveram que resolver a prova completa de História encontraram um bom equilíbrio na distribuição de assuntos. De acordo com o professor Marcos Linares, temas clássicos foram abordados de uma forma que exigiu dos estudantes não só conhecimento factual, mas também habilidades em interpretação de textos, gráficos e pinturas de época. Para ele, a inclusão de uma questão que exigia a citação de um “título de filme” que abordasse o tema da migração foi surpreendente. “Não deve ter sido difícil para a maioria dos vestibulandos, apesar de não constar nenhuma filmografia no Manual do Candidato, porém, vale registrar que tal exigência é pouco comum na Fuvest”, diz.

A prova de Geografia baseou-se em temas tradicionais da disciplina e de atualidades. “Fontes de energia, problemas urbanos e questão agrária são assuntos corriqueiros desse vestibular”, avalia o professor Luiz Carlos Parejo.

A 1ª chamada será divulgada no dia 02 de fevereiro.

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