FGV ADM 2018/2: veja os comentários sobre a prova

FGV ADM 2018/2: veja os comentários sobre a prova


Um tema subjetivo foi a maior surpresa na prova de Redação do vestibular da FGV Administração deste domingo, 20 de maio: “As sociedades contemporâneas e a solidão”. Mas sua abordagem deveria ser racional e orientada ao aspecto social. Veja abaixo os comentários dos professores do CPV sobre a Redação e as outras disciplinas.

Boletim de notas no Alfred, plataforma online de avaliação de desempenho

Veja aqui seu desempenho por disciplina e o comparativo com outros candidatos

Redação

Com quatro fragmentos de textos abordando o mesmo recorte da atualidade, a criação do Ministério da Solidão no Reino Unido, a Banca Examinadora perguntava o que tal política revela sobre a sociedade atual. Enquanto os três primeiros textos, retirados da Deutsche Welle, do Hypeness e da Superinteressante, traziam dados estatísticos sobre os impactos da solidão na saúde física e mental dos seres humanos, o último, do cientista político português João Pereira Coutinho, publicado na Folha de São Paulo, fazia uma análise mais filosófica sobre o tema. “Sob esse aspecto, o maior risco para o aluno seria focar na solidão individual, sem ampliar a problemática para a sociedade”, diz Cristiane Florêncio, professora do CPV. De acordo com ela, apresentar fatores sociais que levam ao isolamento e ao distanciamento seria a melhor alternativa. “Conversamos bastante em sala de aula sobre os livros Medo Líquido, de Zygmunt Bauman, e A sociedade do Cansaço, de Byung-Chul Han; os alunos que citarem essas referências em suas redações terão um diferencial para atingir uma boa nota”, diz.

Baixe a resolução da 1ª fase da FGV Adm 2018/2

Interpretação do Brasil Contemporâneo

Como previsto no Edital, os candidatos a Administração Pública também deveriam desenvolver um texto crítico sobre um recorte escolhido pela Banca. O tema dessa prova abordou a desigualdade racial, especificamente nas áreas de Educação e Trabalho. “Foi um assunto bastante esperado, inclusive proposto em dois simulados do CPV”, lembra Cristiane. De acordo com ela, além da contextualização histórica que leva ao círculo vicioso sugerido pela Coletânea – menor grau de instrução culmina em mão de obra menos qualificada e com renda insuficiente para financiar a educação da geração subsequente -, é esperado que o aluno sugira políticas públicas que possam alterar essa realidade.

Matemática Aplicada

A prova dissertativa de Matemática, aplicada para os candidatos de Administração de Empresas, seguiu o padrão dos últimos vestibulares da FGV, exigindo domínio sobre os números e cobrando demonstrações. “Em relação à prova do semestre anterior, notamos a ausência de Progressões Aritmética e Geométrica”, diz Alexandre (Batata) Rodrigues. De acordo com a equipe de Matemática do CPV, a prova foi de nível médio, sendo a questão 2, que exigia demonstração, a mais difícil, e a 7, de raciocínio lógico, a mais fácil.

História e Geografia

Os candidatos de Administração Pública encontraram temas clássicos tanto na prova de História quanto na de Geografia.

Em História, o professor Marcos Linares destaca a interdisciplinaridade da primeira questão que, a partir de uma peça musical romântica de Tchaikovsky, abordava a vitória russa sobre o exército de Napoleão e a tentativa posterior de restabelecer o Antigo Regime por parte das nações europeias. Em História do Brasil, a Banca seguiu a tendência das últimas provas ao escolher um assunto do período republicano: o contexto histórico e econômico da Guerra de Canudos, movimento social da República Velha.

Em Geografia, as três questões trouxeram assuntos que envolvem planejamento e políticas estatais. O destaque foi a questão 3, sobre a exploração agropecuária na região denominada MATOPIBA – trecho de cerrado entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. De acordo com o professor Renato Araújo, a prova teve nível médio e uma coletânea gráfica bem apurada. “Foram temas tradicionais, mas com uma abordagem bastante inteligente”, finaliza.

Prova Objetiva

Matemática
Assim como nos últimos vestibulares, a prova da tarde exigiu conhecimentos técnicos muito próximos da realidade que os candidatos de Administração vão enfrentar na faculdade. Assuntos como matemática financeira, geometria analítica e logaritmos estiveram presentes em questões que privilegiaram aqueles alunos que sabiam os conceitos. “Foi uma prova na qual quem treinou em exercícios durante o período de estudos acabou ganhando tempo nas resoluções”, diz o professor Alexandre (Batata) Rodrigues.

Língua Portuguesa
A prova de Língua Portuguesa solicitou questões de temas bem variados: semântica e estilística, coesão textual, figuras de linguagem, norma e variação linguística e estrutura e formação de palavras. Houve apenas uma questão de interpretação de textos. De acordo com o professor Vidal Varella Filho, a prova foi bem elaborada e pode ser considerada como de grau de dificuldade médio. “O conteúdo das questões privilegiou o conhecimento sobre a língua e a aplicação atenciosa e crítica de suas prescrições”, diz.

Literatura
Mesmo com alguns enunciados que deram margem à ambiguidade devido à falta de precisão conceitual, a prova de Literatura seguiu a tendência das edições anteriores, abarcando grande parte das obras da lista obrigatória. De acordo com o professor Danislau, um ponto sempre presente é a abordagem sobre algum tipo social brasileiro. Nesse vestibular foi a vez do valentão, que figurou nas questões sobre Sagarana e sobre Til. “Também não surpreendeu o modo como Claro Enigma aparece, com a recorrência de perguntas sobre conteúdo e forma”, diz.

Inglês
Com um texto de história e outro sobre poligamia, a prova de Inglês mais uma vez cobrou um elevado nível de vocabulário. De acordo com o professor Sérgio Klass, todas as questões foram de compreensão de textos, exigindo um aluno com leitura atualizada de textos jornalísticos. “A banca procura com essa prova um aluno que seja capaz de ler, entender e inferir em um curto espaço de tempo”, fala.

História
A prova de História foi bastante equilibrada, tanto na distribuição de assuntos quanto no nível das questões. Essa é a opinião do professor Tiago Rozante, que cita como recorrente na FGV uma pergunta sobre a história dos Estados Unidos. “A questão citou uma carta de Marx, até para marcar a efeméride de seus 200 anos, mas a informação não chegava a influenciar na resolução”, diz. O professor ainda aponta a questão sobre história recente do Brasil como uma possível tendência da Banca.

Geografia
Diferente da prova da manhã, aplicada para os alunos de Administração Pública, a prova de Geografia da tarde apresentou pouca informação visual, com enunciados textuais. De acordo com o professor Adriano Baroni, os temas abordados estão dentro do exigido pela programação, com ênfase para a questão urbana, mostrando uma recorrência em relação à prova anterior. “Um ponto a observar é uma demanda por um vocabulário um pouco mais sofisticado, que acaba dificultando a vida daquele aluno com um universo mais restrito; sob esse aspecto, o aluno com uma leitura mais diversificada ganha pontos”, avalia.

Atualidades
Na prova de Atualidades, a Banca seguiu a tendência das provas anteriores ao cobrar um assunto que não está dentro do programa: arte e cultura. O professor Alex Perrone observa, no entanto, que a questão dessa edição envolvia apenas interpretação, sem necessidade de um conhecimento prévio. “Diferente das questões sobre a situação econômica brasileira nos últimos três anos e sobre a que abordou protecionismo e comércio internacional: estas apresentaram um nível excelente, exigiram domínio dos assuntos e, certamente, colaboraram para selecionar os alunos mais preparados”, diz.

O resultado da 1ª Fase será divulgado no dia 20/06. As entrevistas para a 2ª fase serão feitas entre 25 e 29/06 e o resultado final será divulgado no dia 11/07.

+ There are no comments

Add yours