Mostra Internacional de Cinema: décimo segundo dia.


A Mostra entra em sua reta final e os bons filmes só poderão ser vistos se, eventualmente, entrarem na repescagem. Esta acontecerá no CINESESC (de 02/11 a 08/11) e na CINEMATECA (dias 02,03 e 04). De qualquer modo, nesta quarta-feira (31/10) ainda podem ser vistos CINEJORNAL e POST MORTEM (ambos no Frei Caneca, às 14h00).

Se entrar na repescagem, um filme que deve ser visto a qualquer custo é AQUELE QUERIDO MÊS DE AGOSTO, de Miguel Gomes.

Em 1843 o escritor Almeida Garrett publicou o livro VIAGENS NA MINHA TERRA, obra de gênero inclassificável, misto de jornalismo, narrativa de viagem, reflexões políticas e novela. Narradas pelo A. (que pode ser tanto o narrador do texto como o próprio Autor), registram o contraste entre a decadência do presente e a grandeza do passado português.

O percurso percorrido, entre Lisboa e Santarém, é de menos de cem quilômetros, mas suficiente para estabelecer o contraponto entre a Lisboa afrancesada e um Portugal mais autêntico, captado na arquitetura de suas vilas e monumentos, nos costumes, valores e a cultura de expressão popular.

Miguel Gomes nos leva agora, quase dois séculos depois, a outra viagem por lusas terras. O mote do filme é a música. Não o reconhecido ícone, o fado, mas uma música sem projeção para além das fronteiras nacionais. Uma música despretenciosa, concebida para pura diversão, para ser dançada nos bailaricos. Música “brega”, segundo o chavão dos gostos ditos refinados. Porém autêntica; música, como lá se diz, “da terra e da gente”.

Conhecemos, assim, entre outros, o Diapasão, “conjunto de música ligeira”, a Banda Filarmônica de Torrasolo, a Banda Arys. Também a banda de rock Broken Skull, cujo guitarrista e vocalista, Fábio, é também um atleta e herói local.

E embalados pela música vamos adentrando por aldeias de um Portugal festivo, com suas procissões religiosas, suas tradições seculares, seus personagens de pequenos atos heróicos (como os saltos mortales de Paulo, do alto de uma ponte), com seus conflitos de gerações…

A originalidade do diretor nos brinda a todo instante com verdadeiros achados poéticos, elaborados a partir de tensões entre sons e paisagens, depoimentos e natureza, cores e simbologias. Para não antecipar a surpresa da viagem do espectador, que fique aqui apenas a informação genérica.

Outro filme, não comentado por ninguém na imprensa e que vale a pena ser conferido se for reapresentado, é o longa canadenseNOITE NÚMERO 1.

E, last but no least, a quarta-feira pode ser encerrada ainda com um evento especialíssimo:

às 21h00, no auditório da FAAP, o crítico Rubens Ewald Filho entrevistará a atriz italiana (que contracena com Jeanne Moreau em O GEBO E A SOMBRA) CLÁUDIA CARDINALE!!!

Boa jornada a todos!!!

Professor Verô.

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