Feira de Livros na USP


 

Nos dias 12, 13 e 14 (quarta a sexta), das 10:00 às 22:00) de dezembro, acontece, na USP, a famosa edição da FEIRA DE LIVROS DA HISTÓRIA, como é popularmente conhecida. Na verdade, a Feira é promovida pela USP e ocorria nas dependências do prédio da História e da Geografia, na FFLCH. A prolongada greve do ano passado deslocou-a para as dependências da Poli, onde acontecerá outra vez nos próximos dias. Participam do evento cerca de 150 editoras de todo o país, com a presença das principais casas editoriais. A participação das editoras de Universidades de outros estados (RS, SC, PR, RJ, PE, PA…) proporciona o acesso a títulos difíceis de encontrar. Os livros oferecidos compreendem todas as áreas do conhecimento, comercializados com descontos de no mínimo 50%. Entre tantas grandes atrações, destacam-se: 1. COSACNAYFY, casa que se tornou, pela qualidade de seu catálogo, suas traduções e, sobretudo, pela impecável qualidade de seus livros de arte, uma referência mundial. 2. COMPANHIA DAS LETRAS, detentora daquele que talvez seja hoje o melhor catálogo na área de humanidades no Brasil. Costuma levar para a Feira cerca de 200 dos aproximadamente 3000 títulos do seu catálogo. 3. BOITEMPO EDITORIAL, outra casa com um repertório de títulos de referência na área de humanidades. Entre tantos, há dezenas de livros da série ESTADO DE SÍTIO, como, por exemplo, VIDEOLOGIAS (de Eugênio Bucci e Maria Rita Khel), a melhor coletânea de ensaios  sobre televisão já publicada no Brasil. Outra obra fundamental do seu catálogo é a ENCICLOPÉDIA CONTEMPORÂNEA DA AMÉRICA LATINA E DO CARIBE, coordenada por Emir Sader e Ivana Jinkings. 4. EDUSP, possui centenas de títulos em todas as áreas. Há também dezenas de publicações de excelente qualidade nas séries REVISTA USP e REVISTA DO INSTITUTO DE ESTUDOS AVANÇADOS. 5. INSTITUTO MOREIRA SALLES, referência nacional e internacional em acervo de fotografias, tem lançado magníficas publicações de ensaios fotográficos. Destaque para os CADERNOS DE LITERATURA, em 2011 comercializados com 90% de desconto. Há também as edições (em geral todas) da ótima revista de cultura SERROTE. 6. MARTINS FONTES, costuma levar todo o seu catálogo, cuja qualidade é excepcional. Entre tantos títulos, possui um bom número das obras do filósofo Michel Foucault. Sua banca é disputadíssima e, tradicionalmente, os vendedores distribuem uma filipeta que garante o direito de comprar os livros editados pela Martins ao longo do mês de dezembro inteiro em suas  lojas. 7. CONRAD, para quem gosta de quadrinhos fazer a festa. São centenas de obras sobre os assuntos mais diversos, inclusive grandes obras da literatura universal em versão para HQ. É, provavelmente, a editora líder, hoje, no Brasil, nesta área. 8. EDITORA 34, aqui a festa é quase inteiramente russa. Há alguns anos, esta editora especializou-se em traduções (excelentes, realizadas sobretudo por acadêmicos da USP e da UFRJ) diretamente do russo. Os mestres Tolstoi, Dostoievski, Tchekhov e vários outros estão ao alcance da mão. De quebra, os livros trazem capas com reproduções das gravuras de Goeldi. 9. EDITORA FUNDAÇÃO PERSEU ABRAMO,  é referência nas áreas de Política, Ciências Sociais e História. Dois destaques: a coleção História do Povo Brasileiro (entre outros, o já clássico BRASIL: MITO FUNDADOR E SOCIEDADE AUTORITÁRIA, de Marilena Chauí) e a coleção sobre os grandes intérpretes do Brasil (CELSO FURTADO E O BRASIL, SÉRGIO BUARQUE E O BRASIL, RAYMUNDO FAORO E O BRASIL, MILTON SANTOS E O BRASIL…). 10. CAPIVARA, editora com livros de arte de qualidade soberba. Entre as maravilhas do seu catálogo, é possível destacar a BRASILIANA ITAÚ (o mais completo catálogo ilustrado de obras e documentos da cultura brasileira), a belíssima edição de OS BALÕES DE SANTOS-DUMONT e LOREDANO ALFABETO LITERÁRIO, obra-prima da caricatura. 11. TASCHEN, uma das mais importantes editoras de livros de arte do mundo. Os títulos são inúmeros e o repertório varia enormemente de ano para ano. Mas com certeza estarão disponibilizados excelentes livros de arquitetura, pintura e História da Arte. 12. AEROPLANO, editora carioca que não costuma trazer grande quantidade, mas de excelente qualidade; seus ótimos livros são difíceis de serem encontrados em São Paulo. É bem provável a presença de um dos seus carros-chefe, QUANDO O BRASIL ERA MODERNO, um dos melhores guias da arquitetura brasileira (com generosas mais de 60 páginas dedicadas a OSCAR NIEMEYER). 13. NOVA AGUILAR, responsável pela edição, em papel bíblia, das obras completas dos grandes escritores brasileiros. Costuma disponibilizar apenas algumas dessas edições na Feira, mas algum desses autores você encocntrará: Guimarães Rosa, Drummond, Murilo Mendes, Machado, Ferreira Gullar… 14. FONDO DE CULTURA ECONÔMICA, de origem mexicana, é a editora que introduziu no Brasil, entre outros, Freud e Marx, quando ainda não existiam traduções diretas para o português desses autores.  Às vezes, traz alguns livros da COLEÇÃO ARCHIVOS, iniciada pela vontade testamentária do escritor guatemalteco Miguel Ángel Astúrias e desenvolvida com o dinheiro do Prêmio Nobel que ele recebeu, e que compreende cerca de 200 títulos de literatura hispano-americana, alguns deles de autores brasileiros, como Clarice Lispector, Lúcio Cardoso e Mário de Andrade. Cada volume traz o texto, a versão original, as variações do texto e uma excepcional fortuna crítica elaborada por especialistas latino-americanos, europeus e norte-americanos. Esses livros não são comercializados em nenhuma livraria no Brasil e são razoavelmente difíceis (alguns esgotados) de serem encontrados. Se a Fondo levá-los, embora o preço nunca seja barato, é uma rara oportunidade de adquiri-los. 15. ILUMINURAS, pequena e simpática editora que, em geral, não publica obras de referência. Seu ponto forte são obras e autores à margem dos “mais vendidos”. Mas oferece finíssimos biscoitos, como os belos livros da poetisa e compositora Alice Ruiz (parceira, entre tantos, de Arnaldo Antunes). 16. EDITORA DA UNICAMP, fazendo jus ao papel de Universidade voltada para a pesquisa, surpreende sempre. Quem mais publicaria os poemas de Michelângelo?, ou um precioso trabalho de garimpagem em dezenas de publicações espalhadas pelo Brasil afora, para reunir os polêmicos, poéticos e inteligentíssimos textos críticos do outsider Paulo Leminski? O nome da avis rara? ENSAIOS E ANSEIOS CRÍPTICOS (leitura urgente para qualquer cidadão antenado na face da Terra!). Mas, se você acha que a UNICAMP só se volta para os baús, errou. Há os clássicos, como, para citar apenas um, a soberba edição da DIVINA COMÉDIA, com os desenhos (por 700 anos inéditos no Brasil!) de Botticelli, e uma apresentação assinada por ninguém menos que o senhor João Adolfo Hansen. Enfim, esses apontamentos são apenas minúsculos pontos luminosos na via láctea que é a Feira. E fantasiemos um pouco: ontem era o padre José de Anchieta, escalando a serra rumo ao planalto paulista, numa mão o crucifixo e na outra o breviário; depois eram os cidadãos, durante a ditadura militar, escondendo os livros que poderiam incriminá-los… Hoje há as celebridades, as videocassetadas, as fazendas… Mas há os livros. Que esperam pelos seus leitores! Para que então aconteça, como dizia Jorge Luis Borges, o ato mágico. Um livro é apenas um objeto. Um homem é apenas um homem. Mas quando o livro encontra seu leitor correto,  ocorre o ato de magia.   Professor Verô

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