Primeira Mostra de Cinema do Azerbaijão


Uma das repúblicas da ex-União Soviética, o Azerbaijão, como os países adjacentes que integraram a outrora poderosa URSS, é um país distante dos nossos referenciais e sua produção cultural é praticamente desconhecida no Brasil.  Cinema, literatura, música, artes plásticas, quase nada chega até nós.

Cinematograficamente falando, o Brasil conhece o filme TULPAN, de Servey Dvortsevoy, uma produção do Cazaquistão, exibida há alguns anos na Mostra Internacional de São Paulo e lançado em dvd pelo selo Livraria Cultura. No ano passado, o Cinesesc exibiu LADRÃO DE LUZ, filme do Quirquistão, dirigido por Akton Arym Kubat.

Dos seis títulos que integram o panorama que ora será exibido, apenas um já foi apresentado no Brasil. Trata-se de CRIATURA SAGRADA.

CRIATURA SAGRADA, de Yaver Rzev, exibido na 35ª Mostra Internacional, é um filme de abordagem antropológica e que evoca, guardadas as diferenças, uma atmosfera semelhante à de CAMELOS TAMBÉM CHORAM.

O drama conta a história de Ismail, um adolescente que vive num planalto, junto à mãe, aos irmãos e a um pai bastante autoritário. O cotidiano decorre calmamente durante o verão e a primavera. Mas quando chega o inverno, a família abandona a região e o menino é incumbido da missão de guardar os carneiros.

Arzebaijao filmes

É então que ele toma consciência do sentido da responsabilidade, ao mesmo tempo em que se insurge contra o autoritarismo do pai. Autoritarismo, de resto, comum numa sociedade patriarcal e de valores arraigados. Concebido a partir de planos longos, com poucas falas e uma fotografia arrebatadora, o filme é uma produção muito bem realizada e merece ser visto, pois a oportunidade é mais do que rara.

Os outros filmes que integram a Mostra são todos inéditos no Brasil.

NÃO ESSA, ENTÃO AQUELA é o único título antigo. Rodado em 1956 e assinado por Husey Seydzade, é uma comédia musical construída a partir de referências da cultura popular.

A DELEGACIA recebeu o Prêmio Jovens Artistas (EUA).

BUTA foi premiado no Asia Pacific Screen.

Os gêneros compreendem drama, drama psicológico, fábula e comédia musical.

Exceção ao mencionado CRIATURA ANIMAL, os outros títulos são totalmente desconhecidos no Brasil, pois jamais foram exibidos sequer em festivais. Por trás de cada nome pode estar oculta, portanto, uma pérola. Na incerteza, vale arriscar. Em nome do quê? Da qualidade das curadorias que compõem as mostras para o Centro Cultural Banco do Brasil. Tenho acompanhado todas as mostras desde a criação do espaço, há 10 anos, e é muito raro alguma curadoria que não prime pela boa qualidade dos títulos escolhidos. Aliás, há cerca de seis anos, o CCBB exibiu um panorama do cinema da Geórgia. Eram apenas nove filmes. Ninguém os conhecia. E cada espectador se extasiou com nove obras-primas.

Além dos filmes, haverá uma apresentação do cinema do Azerbaijão e um debate com a presença do embaixador do Azerbaijão em São Paulo. O encontro será nesta quinta-feira, dia 05.09, às 19h30 e a entrada é franca.

As sessões de CRIATURA ANIMAL acontecerão na sexta (06.09), às 17h30, e no domingo (08.09), às 15h30.

Para se inteirar da programação completa, acesse www.bb.com.br

ONDE: Centro Cultural Banco do Brasil, Rua Álvares Penteado, 112 – Centro

QUANDO: de 4 a 8 de setembro. São três sessões diárias: 15h30, 17h30 e 19h30.

QUANTO: R$2,00 cada ingresso

Há sempre quem torça o nariz diante do “exotismo” de certas produções que chegam a São Paulo (seja cinema, quadros e esculturas nas bienais, grupos da cena musical…). Exotismo é, porém, uma etiqueta ultrapassada. Os estudos multicuturais já provaram, há décadas, o quanto o diálogo entre culturas extremamente diferentes enriquece cada cultura e cada indivíduo. Então, lancemo-nos, de olhos abertos, às fronteiras da Europa com a Ásia.

PROFESSOR CÉSAR VERONESE (CPV)

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