Análise das questões de Literatura da FGV Adm


Todas as questões de Literatura (na última prova, 9 das 15 questões de Língua Portuguesa) do vestibular da FGV para Administração podem ser consideradas de nível médio alto ou difícil e supõem um bom conhecimento dos livros da leitura obrigatória.

A dica mais importante, portanto, é tentar ler os livros. MORTE E VIDA SEVERINA pode ser lido em duas horas. A HORA DA ESTRELA demanda uma tarde para a leitura. E alguns poemas referenciais de A ROSA DO POVO (“Consideração do Poema”, “Procura da Poesia”, “A Flor e a Náusea”, “Áporo” e “Resíduo” não exigem tanto tempo para a leitura).

O elemento maior que “amarra” a lista de livros são as relações de favor existentes entre os “homens livres” (pequenos proprietários de terras, profissionais liberais e burocratas) e os grandes proprietários e os controladores da vida política. O retrato dessa classe de “homens livres” é, como pontua Roberto Schwarz, “mais simpático” à nossa intelectualidade (Alencar à frente) do século XIX do que falar das aberrações da escravidão. Machado de Assis implodirá esse esquema, expondo as “podridões” que permeavam nossa sociedade, marcadamente no plano político. A troca de gabinete e os jogos de interesses (representados pelo Dr. Teófilo), bem como as manipulações políticas do Dr. Camacho e Carlos Maria em QUINCAS BORBA são ilustrativas dessa desconstrução.

Outro aspecto relevante da prova é a comparação entre os livros da leitura obrigatória. Os elos são muitos, destacando-se, entre outros, a questão do espaço físico entre MORTE E VIDA SEVERINA (sertão e cidade) e A HORA DA ESTRELA (sertão e cidade) e SÃO BERNARDO (Zona da Mata, também presente – como uma das regiões do sertão em MORTE E VIDA SEVERINA.

Vale lembrar também, SEM QUERER FAZER QUALQUER “ADVINHAÇÃO”, que, desde que foi instituída a atual leitura obrigatória da FGV, os livros menos cobrados foram MACUNAÍMA e O ATENEU. Na última prova, foram formuladas 4 questões sobre A ROSA DO POVO, livro que não havia sido cobrado na penúltima prova.

A questão central de MACUNAÍMA é uma alegoria do Brasil, materializada nas atitudes do “herói sem nenhum caráter” (não no sentido de “mau caráter” e sim de uma indefinição de caráter) que não sabe equacionar os elementos da sua própria cultura com os elementos da cultura do colonizador, julgando estes últimos superiores aos seus.

Em O ATENEU, a questão maior é a transfiguração artística de uma experiência traumática (a estada, durante um ano e meio, do narrador personagem Sérgio no colégio  Ateneu). A chamada “escrita artística” do livro (que conjuga elementos realistas, naturalistas, expressionistas e, sobretudo, impressionistas) é uma “compensação” pela via da arte à experiência vivida, embora não apague esta última.

As questões da  prova de Literatura da FGV, como observamos acima, são de nível alto e muito bem formuladas. Esperamos que a Banca Examinadora mantenha esse nível de elaboração.

Análise formulada pelo Professor Veronese, do CPV Vestibulares.

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